abril 15 2016 0Comentário

Lava Jato e Engenharia: Pequenas e médias empresas veem oportunidades

Os motivos que possibilitaram oportunidades de algumas pequenas e médias empresas de engenharia pode ser entendido como um conjunto de fatores, como escândalos de corrupção. A Lava Jato, por exemplo, com o descobrimento da corrupção teoricamente fecha as portas para muitas grandes empresas que atuavam no setor. Outros fatores também interferiram, como a falta de obras públicas, atraso de pagamentos e a “crise financeira e moral de grandes empreiteiras”.

Especialistas também acreditam que o custo operacional mais baixo dessas pequenas e médias empresas têm facilitado ao crescimento desse segmento, além de terem uma estrutura mais enxuta, o que é um fator positivo em tempos de crise.

No ano passado, a  Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop) abriu um programa de incentivo à formação de grupos de empresas pequenas e médias para disputar concessões.

O programa teve inicialmente 79 grupos formados por empresas com faturamento anual entre R$ 40 milhões e R$ 400 milhões para estudar 35 possibilidades de concessões e Parcerias Público­ Privadas (PPPs), principalmente em saneamento, rodovias, metrô e aeroportos. Atualmente  existem 18 grupos, sendo cinco em estágio mais adiantado.

OPORTUNIDADES

Apesar da desaceleração do mercado, a falência de grandes empresas de engenharia tem dado um espaço maior no mercado para as pequenas empresas. Atualmente, essas empresas, com até 49 funcionários, são as que dominam o setor da construção civil.

Em uma pesquisa encomendada pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) ao Instituto Sensus, mostra que empresas do setor de construção civil, incluindo construtora, demolidoras, instaladores elétrica e outros serviços da área, mostra que grande parte das empresas do setor são de pequeno porte. Das 195 mil empresas de engenharia no Brasil, 184,8 mil são de pequenos porte (94,8%).

Dessas empresas, praticamente a metade tem a faturamento de até R$ 5 milhões por ano (49,6%); outros 14% tem o faturamento entre R$ 5 e R$15 milhões. Uma parcela dessas empresas têm faturamento bruto superior a R$ 60 milhões (5%).

Há algum tempo atrás, essas pequenas empresas atuavam apenas como terceirizadas de grandes empreiteiras, mas com o crescimento do setor habitacional, esse setor passou a ter maiores possibilidades de crescimento. Já ocupando um grande espaço disputado com empresas de grande porte, a possibilidade de alavancar os negócios aumentou com a falência e diversas dificuldades que rondam as grandes empreiteiras.

Grande parte dessas pequenas empresas são formadas por construtoras (60%), e atuam no segmento de construção de edifícios (48%). Esse setor é responsável por manter a “estabilidade” da engenharia e a maioria de trabalhadores especializados.

Na contramão da retração, certamente há espaço para novos empreendedores que visam principalmente o setor de infra-estrutura, que conta com um enorme déficit e certamente por onde passará a retomada do crescimento do país. Claro, terá ampla concorrência, mas esse porte é ideal para novas ideias, inovação e aprimoramento de técnicas, o que seria um diferencial no mercado. Como consequência, é possível ver uma maior produtividade aliada ao uso de tecnologias diferenciadas.

PLANEJAMENTO

Dentre os principais problemas enfrentados por empresas de engenharia, principalmente as pequenas, é as falta de planejamento no empreendimento. Isto porque muitas empresas têm o costume de fazer o trabalho de modo muito artesanal, coisa que o mercado não permite tanto.

Empresas necessitam planejamento e ter rapidez na tomada de decisões, mesmo as de pequeno porte. Com o mercado de futuras oportunidades para essas empresas, o cuidado não deve ser classificado como supérfluo, e sim devem estar preparadas para o momento que todos anseiam, a retomada.